
Apesar do esperado aumento gradual da oferta da uva negra sem semente, o padrão inferior da fruta segue pressionando as cotações no Vale do São Francisco (PE/BA). Segundo agentes consultados pelo Hortifrúti/Cepea, apesar da boa aparência externa da BRS Vitória, a qualidade ainda não está plena em razão da nova queda das temperaturas. Esse fator tem prejudicado o °brix em boa parte dos lotes colhidos, deixando as bagas mais ácidas e reduzindo os valores pagos nas roças. Diante disso, algumas colheitas vêm sendo postergadas de forma proposital, na tentativa de diminuir a acidez e elevar o padrão da fruta antes da comercialização. Além disso, a transição de mês manteve a demanda enfraquecida para a variedade, tendência que já vinha sendo observada na última semana.
No caso das brancas sem semente, o ritmo escalonado das colheitas — reflexo da oferta ainda enxuta nas roças — tem sustentado as cotações, que oscilaram pouco no período. Assim, os estoques nas câmaras frias permanecem reduzidos para ambas as variedades. Nesta semana (29/06 a 03/07), a BRS Vitória embalada foi comercializada à média de R$ 9,10/kg (-1,3%), enquanto a branca embalada de perfil semelhante foi negociada a R$ 15,50/kg (+3,7%).
Para as negras, espera-se melhora no padrão da fruta nas próximas semanas, com volume mais expressivo a partir da segunda quinzena de julho. Já para as brancas, apesar do crescimento gradual das colheitas, um volume mais robusto é aguardado somente a partir de agosto — período em que os produtores já demonstram preocupação com a formação de um pico de oferta, que pode pressionar ainda mais os preços, principalmente caso a fruta fique concentrada no mercado interno. Mesmo assim, a expectativa é de melhora na qualidade a partir de agosto, à medida que as temperaturas se elevam.
Fonte: hfbrasil.org.br